Entre 2015 e 2024, Portugal registou uma redução de 35% nos novos casos de infeção por VIH e de 43% nos novos diagnósticos de SIDA, segundo o Relatório Infeção por VIH em Portugal – 2025, divulgado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
Em 2024 foram notificados 997 novos casos de VIH, dos quais 951 tiveram diagnóstico em Portugal. Os dados confirmam que a tendência decrescente dos últimos anos se mantém.
No final de 2023 estimava-se que 49 699 pessoas viviam com VIH no país, sendo que 94,2% já conheciam o seu diagnóstico, aproximando Portugal das metas da ONUSIDA de identificar 95% das pessoas infetadas. Das 36 184 pessoas diagnosticadas e acompanhadas por 26 hospitais nacionais, 97,8% estavam em tratamento e 95,9% apresentavam supressão virológica, demonstrando a eficácia da terapêutica.
Apesar desta evolução positiva, o relatório indica que 53,9% dos novos casos foram diagnosticados tardiamente, com níveis de CD4 inferiores a 350 células/mm³. Entre pessoas com 50 ou mais anos, o valor sobe para 65,4%.
Os homens continuam a representar a maior parte dos novos diagnósticos (2,7 casos por cada caso em mulheres). Cerca de 30% dos casos ocorreram em pessoas com menos de 30 anos. Foram ainda registados cinco casos em menores de 15 anos, três dos quais com transmissão e diagnóstico em Portugal.
A taxa de novos diagnósticos foi mais elevada na Grande Lisboa, seguida da Península de Setúbal. A maioria das pessoas diagnosticadas (53,6%) nasceu fora de Portugal, embora 72,4% tenha adquirido a infeção já em território nacional.
A transmissão por via sexual foi responsável por 97% dos novos casos. A transmissão heterossexual continua a ser a mais frequente (52,5%), mas entre os homens a maioria dos diagnósticos ocorreu em homens que têm sexo com homens, representando 60,6% dos casos masculinos.
Os novos diagnósticos ocorreram sobretudo em contexto hospitalar (41,5%), seguido dos cuidados de saúde primários (26,2%) e de outras estruturas comunitárias (16,2%). Após o diagnóstico, 78,9% das pessoas foram ligadas a consultas especializadas nos primeiros 30 dias e 96,2% nos primeiros 90 dias.
O relatório reforça a necessidade de manter o investimento na prevenção, ampliar o rastreio e intensificar ações dirigidas a grupos específicos, especialmente pessoas com mais de 50 anos, onde o diagnóstico tardio continua a ser um desafio.